miércoles, 24 de agosto de 2016

A Grande Apostasia: um dos sinais do "fim do tempo" e da Vinda de Nosso Senhor - Mensagem de Nossa Senhora ao P. Stefano Gobbi, 13.Março.1990


Mensagens de Nossa Senhora
aos Sacerdotes, Seus filhos predilectos,
através do Pe. Stefano Gobbi
(1973-1997)


Imprimatur do Cardeal Bernardino Echeverría Ruiz, Arcebispo de Guayaquil.
Imprimatur do Arcebispo Metropolitano de Pescara – Penne, D. Francesco Cuccarese.
Imprimatur do Cardeal Ignace Moussa Daoud, Patriarca emérito de Antioquia
dos Sírios, e Perfeito da Congregação para as Igrejas Orientais.







A Grande Apostasia: um dos sinais do “fim do tempo”
e da Vinda de Nosso Senhor


São Paulo (Brasil), 13 de Março de 1990,


«Vós ledes no Evangelho: “Quando o Filho do Homem voltar, encontrará ainda fé sobre a terra?” (Lc 18,8).
Hoje, quero-vos convidar a meditar nestas palavras pronunciadas pelo meu Filho Jesus. São palavras graves, que fazem reflectir e que vos conseguem fazer compreender os tempos em que viveis.
Antes de mais, podeis perguntar-vos porque é que Jesus as pronunciou.
Para vos preparar para a sua segunda vinda e vos descrever uma circunstância que será indicativa da proximidade do seu glorioso retorno.
Esta circunstância é a perda da fé.
Também numa outra parte da Divina Escritura, na Carta de S. Paulo aos Tessalonicenses, é claramente anunciado que, antes do retorno glorioso de Cristo, se deve verificar uma grande apostasia (cf. 2 Tes 2, 1-14).
A perda da fé é uma verdadeira apostasia.
A difusão da apostasia é, portanto, o sinal que indica já estar próxima a segunda vinda de Cristo.
Em Fátima, predisse-vos que havia de vir um tempo em que se perderia a verdadeira fé. Estes são os tempos.
Os vossos dias estão marcados por esta dolorosa e significativa situação, que vos foi predita na Sagrada Escritura: a verdadeira fé está a desaparecer num número cada vez maior dos meus filhos.
As causas da perda da fé são:
1)  A difusão dos erros que são propagados e, frequentemente, ensinados por professores de teologia nos Seminários e nas escolas católicas, e que adquirem assim um certo carácter de veracidade e legitimidade.
2)  A rebelião aberta e pública contra o Magistério autêntico da Igreja, sobretudo contra o do Papa, que recebeu de Cristo a missão de manter toda a Igreja na verdade da fé católica.
3)  O mau exemplo dado pelos Pastores que se deixaram possuir completamente pelo espírito do mundo e se tornam propagadores de ideologias políticas e sociais, em vez de serem anunciadores de Cristo e do seu Evangelho, esquecendo assim o mandato d’Ele recebido: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura”.
Assim, nestes vossos dias, alastra cada vez mais a apostasia da parte de muitos dos meus pobres filhos.
Quando o Filho do Homem voltar…
Se o seu retorno está próximo, então torna-se mais preocupada e forte a minha acção materna de ajudar todos os meus filhos a permanecerem sempre na verdadeira fé. Eis porque vos pedi para vos consagrardes ao meu Coração Imaculado.
Eis porque difundi por toda a parte, nestes vossos tempos, o meu Movimento Sacerdotal Mariano. Para formar o pequeno rebanho, reunido na oração dos Cenáculos e vigilante na expectativa. O rebanho reunido e formado por Mim, para conservar sempre a verdadeira fé.
Assim, quando o Filho do Homem voltar, encontrará ainda a fé sobre a terra em todos aqueles que se consagraram a Mim, deixando-se recolher no jardim celeste do meu Coração Imaculado.




Nota:
Para uma visão mais completa dos sinais que precedem a Vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, remeto à mensagem de Nossa Senhora ao P. Stefano Gobbi no dia 31 de Dezembro de 1992. Ali Nossa Senhora explica os sinais que precedem a vinda de Nosso Senhor descritos na Bíblia e como se estão a realizar nos nossos dias: http://apelosdenossasenhora.blogspot.pt/2016/02/nossa-senhora-ao-p-gobbi-o-fim-dos.html








A Autoridade Eclesiástica respeito das mensagens
de Nossa Senhora ao P. Stefano Gobbi

Ver a primeira publicação sobre as Mensagens de Nossa Senhora ao P. Gobbi, aqui nos “Apelos de Nossa Senhora”.












miércoles, 17 de agosto de 2016

Nossa Senhora de El Escorial: A supremacia de Deus na nossa vida (7.Nov.1992)


Nossa Senhora de El Escorial
Espanha, 1981-2002


Aparições de Jesus Cristo e Nossa Senhora
actualmente em estudo a cargo do Arcebispo de Madrid, Carlos Osoro.
Com o Culto Eucarístico autorizado, no lugar das Aparições.






A supremacía de Deus na nossa vida


7 de Novembro de 1992

O Senhor:
Minha filha, o fogo do Meu amor trespassou o teu coração…

Nossa Senhora:
Meus filhos, estou aqui como Mãe de dor, mas venho também cheia de amor. Meus filhos, obrigada a todos os que correspondestes a esta grande Obra. Há tempos que vos tinha dito que queriam fazer desaparecer o Meu nome deste lugar. Não o permitais, Meus filhos. Orai e lutai, para levar a Minha Obra por diante.

O Senhor:
Meus filhos, Eu sou o Filho de Deus vivo e venho repetir esta pergunta aos homens: como é possível que disputeis um lugar sagrado? Uns para o lucro, outros para fazerem desaparecer o Meu nome e o nome da Minha Santa e Pura Mãe. Eu manifestei-Me neste lugar e fiz com que a Minha Mãe Se manifestasse. Como Dono e Corredentora, porque onde está o Filho está a Mãe – Ela é Corredentora Comigo e Eu sou o Redentor – tudo Me pertence, porque tudo foi criado pelas Minhas mãos. Como sois capazes de negociar tantas vezes com este lugar sagrado, Meus filhos? Ai dos que vos chamais católicos praticantes e não sois capazes de dar uma pequena parcela dos vossos bens para os fins que peço, Meus filhos! Não sabeis que sou dono das vossas vidas e dos vossos bens e que posso deixar-vos sem vida e sem bens? Ai como sou tão mal correspondido a tantas graças que vos dei, Meus filhos! Não vos falta nada, mas o vosso coração não quer outra coisa senão amealhar cada vez mais tesouros na terra.
E vós, apóstatas, que renegastes da vossa fé e não quisestes cumprir as leis de Deus, como sereis capazes de cumprir bem as leis da terra? Só com enganos e mentiras. Muitos de vós recebestes também graças suficientes para seguirdes o Meu caminho, mas renegastes da fé de Cristo. Não sentirei dor pelos vossos males nem ouvirei os vossos gritos, Meus filhos; vim até vós, mas vós não Me correspondestes. Ah, povo ingrato, quando vos apresentardes diante de Mim gritar-vos-ei: “Fora daqui, pois não sois da Minha estirpe!”. Só pensastes nos bens corruptíveis, tendo abandonado os incorruptíveis! Ai, pobres de vós, quando vos apresentardes perante o Meu olhar divino! Sereis rejeitados, porque vos dei muito, mas correspondestes muito mal a esse amor! Eu pedi o coração de alguns de vós, mas vós convertestes os vossos corações em blocos de gelo e em destruição. Não haverá desculpa quando vos apresentardes diante de Mim, porque tivestes bons ensinamentos. Não vos deixastes conduzir por Deus, vosso Criador, mas deixais-vos conduzir por criaturas cegas! Aonde podem conduzir-vos essas criaturas? Um cego nunca pode guiar outro cego à luz, porque os dois carecem da luz.
Ai ditadores das vossas próprias famílias, que não amais a Deus nem deixais que elas O amem! Não tendes pena de ensinardes os vossos próprios filhos a renegar a Deus? Se Eu dei a liberdade ao homem, como é possível que vós lha renegueis? Vivei a Minha verdadeira vida, segui os Meus passos e escutai a Minha doce voz desde o berço de Belém e, apesar de ser Filho de Deus, Rei dos reis, nasci pobremente para ensinar aos homens que as riquezas não são boas para a alma.
Muitos de vós dizeis que o vosso ideal é ajudar o pobre. Hipócritas fariseus. Viveis para vós mesmos e construís as vossas grandes casas sem pensar no necessitado nem naquele que tem fome e vos pede ajuda. Ai de vós, enganadores!
Este lugar pertence-Me a Mim, assim como a terra inteira, e Eu escolho o lugar que quero. Quem sois vós para dizer se é aqui ou ali, se fui Eu Quem tudo criou? Sois como o povo de Israel, Meus filhos, e sereis castigados como o povo de Israel. Não Me compadecerei de vós nem ouvirei os vossos lamentos, pois vós não sois capazes de vos humilhar diante do vosso Criador. Todo aquele que diz viver a Minha vida, mas não pratica os Mandamentos, vive uma vida falsa. E vós, donos desta herdade, devíeis estar a dar graças pelo facto de o próprio Deus ter enviado a Sua Mãe a pousar neste lugar, e também porque alguns de vós já poderiam estar a ser pasto de vermes; e se tal não aconteceu, foi porque recebestes graças suficientes que vos fizeram voltar à vida; mas, e apesar de tudo isso, a vossa soberba e a vossa avareza… Não conseguistes entender que recebestes graças suficientes para agradecer, Meus filhos? Não discutais mais e dai a Deus vosso Criador o que vos pede. Viveis na abundância e não vos recordais do rico avarento. Olha, Minha filha, olha onde está o rico avarento; de que lhe serviram tantas riquezas e tantos criados, se o seu coração estava endurecido e não dava nem sequer as migalhas ao pobre Lázaro? Mas olha, Minha filha, o pobre Lázaro é hoje o rico Lázaro, e o rico avarento é hoje o pobre avarento. Não andeis tão afadigados nem penseis tanto no dinheiro, Meus filhos. Eu peço o vosso coração para o lançar no fogo do amor e para que vivais o Evangelho conforme está escrito. Reconsiderai, pois ainda estais a tempo.
E vós, apóstatas, ficai a saber que é grave renegar a vossa fé. Não sejais ditadores e permiti aos vossos filhos serem baptizados livremente e viverem o caminho do Evangelho. Como podereis renegar a Deus, se sois criaturas do Criador? Despertai, Meus filhos, pois Eu vim até vós, mas vós não Me destes ouvidos. Não ensineis aos vossos filhos o caminho da destruição e da mentira. Deixai-os viver como bons cristãos.
E vós, todos os que vindes a este lugar, vivei o Evangelho, Meus filhos, ajudai os vossos irmãos, amai a Igreja, pois a Igreja é de Cristo. Não vos fixeis tanto nas faltas que os guias do povo cometem. Rezai por eles e olhai para as vossas próprias faltas; ajudai a Igreja de Cristo, amai muito o Vigário de Cristo, que já não tem forças para continuar a lutar e a caminhar. Pedi por ele, Meus filhos.
Fazei sacrifícios e penitências e amai-vos uns aos outros como Eu vos amei; este é o mandamento principal da Lei de Deus. Quem ama não fará mal a ninguém e não ambicionará bens alheios nem sequer os próprios; partilhará com os outros aquilo que recebeu.
Minha filha, espalha a mensagem por todo este povo e grita-lhe que não só é como o povo de Israel, como será castigado como esse mesmo povo, porque derramei graças suficientes sobre eles, mas fecharam os seus ouvidos. Até quando quererá o homem que Deus Criador Se humilhe à criatura?
Levantai todos os objectos; todos serão abençoados com bênçãos especiais para os pobres pecadores… Todos foram abençoados, Meus filhos. Abençoo a todos os que vêm a este lugar com bênçãos muito especiais…
Humilha-te perante Deus teu Criador, Minha filha… A humildade é um dom muito especial para a alma.
Deixo-vos a paz.






Posição actual da Igreja sobre
as Aparições de Nossa Senhora em El Escorial

Para uma informação mais detalhada da posição actual a Igreja respeito das Aparições de Jesus e Nossa Senhora em El Escorial, a Luz Amparo Cuevas, ver a seguinte publicação neste mesmo blog:







martes, 9 de agosto de 2016

Beato Pp. Paulo VI - "Constato que neste momento emergem alguns sinais do fim do tempo"


Beato Pp. Paulo VI
(1963-1978)






“Releio, às vezes, o Evangelho do fim dos tempos
e constato que, neste momento, emergem alguns sinais deste fim”


«Há uma grande perturbação, neste momento, no mundo e na Igreja e o que está em causa é a fé.
Acontece-me vir repetidamente à mente a frase obscura de Jesus no Evangelho de São Lucas: “Quando o Filho do homem voltar, encontrará ainda fé sobre a terra?” (cf. Lc 18, 8).
Acontece que saem livros em que a fé sobre alguns pontos importantes está em retirada, que os episcopados se calam, que não se acham estranhos estes livros. Isto, segundo o meu parecer, é estranho.
Releio, às vezes, o Evangelho do fim dos tempos e constato que, neste momento, emergem alguns sinais deste fim.
Estaremos próximos do fim? Isto nunca o saberemos.
É preciso estar sempre prontos, mas tudo pode durar ainda muito tempo.
Aquilo que me impressiona, quando considero o mundo católico, é que no interior do catolicismo, parece, às vezes, predominar um pensamento de tipo não católico, e pode acontecer que este pensamento não católico, no interior do catolicismo, se torne, amanha, o mais forte. Mas jamais representará o pensamento da Igreja. É necessário que subsista um pequeno rebanho, por menor que seja».[1]







[1] J. Guitton, Paulo VI segreto, Edizioni Paoline, 19853, 152-153.




martes, 2 de agosto de 2016

A pregação do Evangelho a toda a criação como um sinal que precede a Vinda do Reino de Nosso Senhor Jesus Cristo


A pregação do Evangelho a toda a criação
como um sinal que precede
a Vinda do Reino de Nosso Senhor Jesus Cristo




Video que mostra a predicação do Evangelho por todo o mundo ao longo destes 2000 anos



Michael Schmaus, teólogo dogmático de renome, director da tese doutoral de Joseph Ratzinger, escreve na sua ingente Dogmática[1]:

«Ainda que a data da volta de Cristo é indefinida, foram-nos dados a conhecer os sinais que a precederão. São eles: a pregação do Evangelho em todo o mundo, a conversão do povo judeu, penalidades e tribulações da Igreja, a aparição do Anticristo, e o caos da criação.
Cristo não virá até que a Boa Nova tenha sido pregada em todo o mundo (cf. Mc 10,13; Mt 24,14). Assim foi determinado por Deus. Antes de que Cristo venha por segunda vez ao mundo, os povos serão postos diante da decisão de com Ele o contra Ele. No momento da sua volta só poderá haver amigos ou inimigos de Cristo. Uns verão n’Ele o Rei largo tempo desejado que por fim vem da cidade celestial e os outros verão n’Ele o grande inimigo que, bruscamente, dará fim ao seu poder erigido com todos os meios da força e da mentira.
Não está profetizado que cada homem em particular escutará a predicação de Cristo antes do “fim do mundo”, nem que todos a aceitarão; a pregação do Evangelho será feita antes do fim, a todos o grupos de homens, a todos os povos. O individuo recebe a Cristo em quanto membro do seu povo (cf. Mt 26,28). Cristo foi preparado por Deus como salvação aos olhos dos povos, luz para iluminar os povos estranhos (Lc 2,30-31). [...]
Também não se pode dizer se o fim ocorrerá imediatamente depois que o Evangelho tenha sido pregado a todo o mundo. Só está profetizado que o fim do mundo não acontecerá antes de que o Evangelho tenha sido pregado a todos os povos. Seria compatível com esta profecia que passe um longo período de tempo entre a predicação do Evangelho a todos os povos e o “fim do mundo”» (pp. 168-169).




1.    O termo “fim do mundo”: uma tradução equívoca da Sagrada Escritura ao nosso idioma.

Em Mt 24,3 os discípulos perguntam a Jesus qual será o signo da sua vinda e do “fim do mundo”. Nosso Senhor Jesus Cristo responde: «Proclamar-se-á esta Boa Nova do Reino no mundo inteiro, para dar testemunho a todas as nações. E então chegará o fim» (Mt 24,14). No entanto, é preciso fazer notar que a Sagrada Escritura não diz “fim do mundo”: esta é uma tradução equivocada. As palavras que vem escritas no Evangelho segundo São Mateus são συνθελείας τοῦ αἰῶνος (syntheleías tou aiônos) que quer dizer literalmente “fim da idade”[2].
Exactamente o mesmo conceito aparece em Mt 13,39, no contexto da explicação do sentido da parábola do trigo e do joio (cf. Mt 13,36-43), quando Jesus diz que «a ceifa é o fim da idade»[3] (equivocadamente traduzido ao português por “fim do mundo”).
E ainda em outra ocasião, em Mt 28,16-20 no contexto da missão universal que Cristo confia aos onze. Afirma em 28,20b: «E sabei, Eu estou convosco todos os dias até ao fim da idade»[4].




2.    O significado da categoria teológica “fim da idade”.

O termo “eón” na Sagrada Escritura é um termo polissémico; um termo polissémico é aquele que sendo um, refere-se a coisas diferentes. Nós centrar-nos-emos naquele sentido que tem de “idade”, “período”, “tempo”, “era”.
São Gregório de Nisa (335-394 d.C), Padre da Igreja, recolhe a herança cristã que concebe a Historia da Salvação dividida em oito idades (eón[5]). Afirma o santo na sua Exposição da Fé II, 1, um catecismo que elaborou enquanto bispo de Nisa:
«Certamente, dizem-se sete eões [idades] de este mundo, desde a criação do céu e da terra até ao fim e à ressurreição comum dos homens. Por uma parte, o final particular é a morte de cada um; por outra, existe o final comum e perfeito, quando chegue a ressurreição dos homens. O oitavo eón [idade] é o mundo futuro».
Não obstante, para uma maior profundidade da exposição desta matéria acudimos a um Padre da Igreja anterior, São Ireneo de Lyón (130-202 d.C.), e à sua classificação dos eões ou idades da Historia da Salvação. São elas:
i.               A idade que se inicia com a criação / aliança com Adão 
ii.              A idade que se inicia com a Aliança com Noé
iii.            A idade que se inicia com a Aliança com Abraão
iv.            A idade que se inicia com a Aliança com Moisés
v.             A idade que se inicia com a Aliança com David
vi.            A idade que se inicia com a Nova Aliança, em Cristo.
vii.          A idade que se inicia com a Reino do Filho
viii.         A idade que se inicia com a Reino do Pai
Ora, o eón a que Nosso Senhor se refere nas passagens do Evangelho de São Mateus que antes referimos, é aquele que vem inaugurado com a Aliança Nova e Eterna no Seu Sangue. Em Mt 24,3 os discípulos perguntam a Jesus qual será o signo da sua vinda e do “fim da idade”. Nosso Senhor Jesus Cristo responde: «Proclamar-se-á esta Boa Nova do Reino no mundo inteiro, para dar testemunho a todas as nações. E então chegará o fim» (Mt 24,14). Exactamente o mesmo conceito aparece em Mt 13,39, no contexto da explicação do sentido da parábola do trigo e do joio (cf. Mt 13,36-43), quando Jesus diz que «a ceifa é o fim da idade»[6]. E ainda em outra ocasião, em Mt 28,16-20 no contexto da missão universal que Cristo confia aos onze. Afirma em 28,20b: «E sabei, Eu estou convosco todos os dias até ao fim da idade»[7]. Nosso Senhor está a falar da sexta idade, do fim do sexto eón.
Ora precisamente o livro do Apocalipse segundo São João é toda uma larga descrição da grande tribulação que se vive neste fim do tempo do sexto eón. Culminará com a derrota do Anticristo a quando da segunda vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo e com a inauguração do Seu reino milenário, é dizer com a inauguração da sétima idade ou do sétimo eón (cf. Ap 19,11-20,6).
Assim, também os sinais que precedem a volta de Nosso Senhor e que no Novo Testamento vem anunciados ora por boca de Jesus ora pela dos Apóstolos (a pregação do Evangelho em todo o mundo, a conversão do povo judeu, penalidades e tribulações da Igreja, a aparição do Anticristo, e o caos da criação) referem-se sempre ao fim da sexta idade que dará passo à sétima idade, é dizer, ao Reino Nosso Senhor Jesus Cristo.
Precisamente ao “fim da idade”, ao fim do tempo da sexta idade, e ao anuncio do começo do Reino de Nosso Senhor (a sétima idade) se referiu Nossa Senhora em várias das suas mais conhecidas aparições:
— La Salette, 1846: «Então a água e o fogo purificarão a Terra e consumirão todas as obras do orgulho dos homens, e tudo será renovado. Deus será servido e glorificado».
— Fátima, 13 de Julho de 1917: «Por fim o Meu Imaculado Coração triunfará».
— Akita, 1973: «Aqueles que põem a sua confiança em Mim serão salvos».
— El Escorial, 5 de Setembro de 1987: «Por mim, minha filha, formou-se a Igreja na Terra. E por mim, minha filha, virá o Paraíso».
— P. Stefano Gobbi, 31 de Dezembro de 1997: «Por fim o meu Imaculado Coração triunfará. Isso acontecerá no maior triunfo de Jesus, que trará para o mundo o seu glorioso reino de amor, de justiça e de paz e fará novas todas as coisas. Abri os corações à esperança. Escancarai as portas a Cristo que vem a vós na glória. Vivei a trépida hora deste segundo Advento. Tornai-vos, assim, os corajosos anunciadores deste meu triunfo, porque vós, pequenas crianças consagradas a Mim, que viveis do meu próprio espírito, sois os Apóstolos destes últimos tempos. Vivei como fiéis discípulos de Jesus, no desprezo do mundo e de vós mesmos, na pobreza, na humildade, no silêncio, na oração, na mortificação, na caridade e na união com Deus; enquanto sois desconhecidos e desprezados pelo mundo».




3.    A categoria teológica “mundo” na Sagrada Escritura.

Um termo polissémico é aquele que sendo um, refere-se a coisas diferentes. É o caso da categoria teológica “mundo” na Sagrada Escritura, a qual apresenta, a grandes rasgos, dois sentidos: um positivo e outro negativo.


a.     Sentido positivo

Por aspecto positivo podemos entender “mundo” como a criação de Deus, o Universo. Assim São Paulo: «Deus que fez o mundoόσμον) e tudo o que nele existe, que é o Senhor do Céu e da terra [...]» (Act 17,24). Também São João diz que o mundoόσμος) foi feito pelo Verbo (cf. Jo 1,10). E Jesus mesmo, no contexto da Última Ceia, dirige a Deus a chamada “oração sacerdotal” na que pede ao seu Pai que o glorifique com a gloria que Jesus tinha antes que o mundoόσμον) existisse (cf. Jo 17, 5).
Ora, o centro da criação é o homem, para quem foi criado o universo e tudo o que nele existe, como nos recorda São João Crisóstomo, Padre e Doutor da Igreja:
«Qual é, pois, o ser que vai chegar à existência rodeado de tal consideração? É o homem, grande e admirável figura vivente, mais precioso aos olhos de Deus que toda a criação; é o homem, para quem existem o céu e a terra e o mar e a totalidade da criação, e a cuja salvação Deus deu tanta importância, que, por ele, nem ao seu próprio Filho poupou. Porque Deus não desiste de tudo realizar, para fazer subir o homem até Si e fazê-lo sentar à sua direita» (Sermones in Genesim, 2, 1: PG 54, 587D-588A).
Por isso Jesus afirma que «tanto amou Deus o mundoόσμον) que entregou o seu Filho unigénito» (Jo 3,16); aqui “mundo” refere-se à criação, mas tendo especificamente em conta o centro dela, é dizer, o homem criado à imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 2,7), o homem eleito para ser filho adoptivo de Deus por meio de Jesus Cristo (cf. Ef 1,5).


b.    Sentido negativo

Por aspecto negativo podemos citar as seguintes palavras da Primeira Carta de São João 2,15-17: «Não ameis o mundo (κόσμον), nem o que está no mundo (κόσμῳ). Se alguém ama o mundo (κόσμον), o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo (κόσμῳ) —a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a vã gloria das riquezas— não vem do Pai, mas do mundo (κόσμου). O mundo (κόσμος) e as suas concupiscências passam; mas quem cumpre a vontade de Deus viverá para sempre». Neste contexto percebe-se que São João está a referir-se à categoria “mundo”, não com aquele sentido primário —positivo— que tem de criação, mas aqui “mundo” vem claramente identificado com aquela realidade existencial onde está o pecado, fruto da livre acção humana contra o projecto divino.
Esta rebeldia do homem contra o seu Criador é inspirada desde o principio por Satanás, quando no Paraíso instigou o primeiro homem e a primeira mulher à desobediência do mandato divino (cf. Gn 3). Assim, o “mundo”, depois do pecado, já não vem entendido somente como criação amorosa de Deus, onde tem lugar a relação crescente entre Deus e os homens, mas aceita também aquele outro sentido contrario, é dizer, o “mundo” como lugar onde prospera ao longo dos séculos a desobediência primeira de Adão e Eva, perpetuada no género humano. Por isso, Jesus chama a Satanás «príncipe de este mundo (ἄρχων τοῦ κόσμου)» (cf. Jo 12,31;16,11).
Jesus, no contexto da Última Ceia, quando diz aos discípulos que Ele é a videira verdadeira, à que eles devem estar unidos como os seus ramos, diz-lhes também: «Se o mundo (κόσμος) vos odeia, sabei que a mim me odiou antes que a vós» (Jo 15,18). No mesmo contexto da Última Ceia, Jesus, na chamada “oração sacerdotal”, quando intercede a seu Pai pelos Apóstolos afirma: «Eu dei-lhes a tua palavra, mas o mundo (κόσμος) odiou-os, porque não são do mundo (κόσμου), como eu não sou do mundo (κόσμου)» (Jo 17,14). Está claro o sentido negativo que “mundo” apresenta neste contexto: o “mundo” odiou Cristo e os que são de Cristo, e por “mundo” aqui se entende as pessoas e todas as realidades mundanas, que são “anti-crísticas”, é dizer, contra as verdades que Jesus Cristo, o Filho Eterno de Deus, veio revelar.




4.    É possível traduzir “fim da idade” por “fim do mundo”.

As nossas traduções da Sagrada Escritura traduzem “fim da idade” por “fim do mundo”. Isto pode-se entender como “fim da idade do mundo”, considerando “mundo” naquele sentido negativo que antes expusemos; ou então se se entende mundo com o sentido de “idade”, “era”, “eón”.
De facto, confessamos no Credo: “creio na ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há-de vir”; a nossa fé fala de um mundo que há-de vir, por oposição a um mundo que há de passar. No entanto, deve entender-se sempre o termo mundo naquele sentido que explicámos de “idade”, “era”, “eón”.
Do mesmo modo se deve ler a profecia dos novos céus e da nova terra. Deus revelou ao profeta Isaías uns novos céus e uma nova terra (Cf. Is 65,17; 66,22). São Pedro recorda que os cristãos esperamos nesta promessa que Deus nos fez por meio de Isaías (Cf. 2P 3,13). E São João no livro de Apocalipse vê em antecipo o cumprimento da promessa: «Depois vi um Céu novo e uma terra nova, porque o primeiro céu e a primeira terra desapareceram» (Ap 21,1). Como dizemos, estas palavras dos novos céus e da nova terra não podem ser entendidas como aniquilação do nosso planeta ou do universo que Deus criou, ainda que alguém pudesse deduzir isto a partir das palavras de São Pedro em 2 Pe 3,10-12.
De facto a Sagrada Escritura afirma a subsistência desta criação in aeternum, porque destinada a gozar também da incorruptibilidade. Vejamos. O livro da Sabedoria afirma: «Porque amais tudo que existe, e não odiais nada do que fizestes, porquanto, se o odiásseis, não o teríeis feito de modo algum. Como poderia subsistir qualquer coisa se não o tivésseis querido, e conservar a existência, se por vós não tivesse sido chamada? Mas poupais todos os seres, porque todos são vossos, ó Senhor, que amais a vida» (Sb 11,24-26). Contamos também com a doutrina de São Paulo que afirma em Rom 8,19-23: «A criação aguarda com ansiedade a revelação dos filhos de Deus. Pois ela foi submetida à frustração, não pela sua própria vontade, mas por causa da vontade daquele que a sujeitou, na esperança de ser libertada da escravidão da corrupção para participar na gloriosa liberdade dos filhos de Deus. Sabemos que toda a criação geme até ao presente e sofre dores de parto. E não só ela, mas também nós, que temos os primeiros frutos do Espírito, gememos interiormente, esperando ansiosamente a nossa adopção como filhos, a redenção do nosso corpo». Esta redenção da criação chegará na inauguração do Reino de Nosso Senhor a quando da sua vinda como narra Ap 19,11-20,6.
Por fim, São Paulo afirma que passará a figura de este mundo (Cf. 1Co 7,31). A actual figura do mundo passará quando a criação seja revestida da incorrupção; isto sucederá no fim do Reino milenário de Nosso Senhor Jesus Cristo, quando a nova Jerusalém desça do céu, de junto de Deus, ataviada como uma noiva para o seu esposo. Essa será a morada que Deus porá no meio dos homens: eles serão o seu povo e Ele será o seu Deus. Enxugará toda a lágrima, e não haverá morte nem pranto, nem gritos, nem fadigas, porque o mundo velho passou (cf. Ap 21,2-4). Será inaugurada a oitava idade, o oitavo eón, o Reino do Padre: é última idade, a idade que não tem fim, isto é, a eternidade da humanidade e de toda a criação em Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Assim também São Paulo em 1Co 15,24-26: «Então virá o fim, quando Ele entregar o Reino a Deus, o Pai, depois de ter destruído todo domínio, potestade e poder. Porque é necessário que Ele reine até que absolutamente todos os seus inimigos sejam prostrados debaixo de seus pés. E o último inimigo que será destruído é a Morte».












[1] M. Schmaus, Dogmática. VII Los Novíssimos, Rialp, Madrid 1961.
[2] Vulgata: “consummationis saeculi”.
[3] Vulgata: “messis vero consummatio saeculi est”.
[4] Vulgata: “et ecce ego vobiscum sum omnibus diebus usque ad consummationem saeculi”.
[5] Αἰών (grego): transcrito como “éon”, “eão”, “eon” ou ainda “aeon”, este último conserva a transcrição latina do termo grego.
[6] Vulgata: “messis vero consummatio saeculi est”.
[7] Vulgata: “et ecce ego vobiscum sum omnibus diebus usque ad consummationem saeculi”.