domingo, 25 de enero de 2015

A última prova da Igreja - Catecismo da Igreja Católica n. 675-677

Catecismo da Igreja Católica

Promulgado em 1992
pelo Papa São João Paulo II





A última prova da Igreja (Nos 675-677)

675. Antes da vinda de Cristo, a Igreja deverá passar por uma prova final, que abalará a fé de numerosos crentes[1]. A perseguição, que acompanha a sua peregrinação na Terra[2], porá a descoberto o «mistério da iniquidade», sob a forma duma impostura religiosa, que trará aos homens uma solução aparente para os seus problemas, à custa da apostasía da verdade. A suprema impostura religiosa é a do Anticristo, isto é, dum pseudo-messianismo em que o homem se glorifica a si mesmo, substituindo-se a Deus e ao Messias Encarnado[3].

676. Esta impostura anticrística já se esboça no mundo, sempre que se pretende realizar na história a esperança messiânica, que não pode consumar-se senão para além dela, através do juízo escatológico. A Igreja rejeitou esta falsificação do Reino futuro, mesmo na sua forma mitigada, sob o nome de milenarismo[4], e principalmente sob a forma política dum messianismo secularizado, «intrinsecamente perverso»[5].

677. A Igreja não entrará na glória do Reino senão através dessa última Páscoa, em que seguirá o Senhor na sua morte e ressurreição[6]. O Reino não se consumará, pois, por um triunfo histórico da Igreja[7] segundo um progresso ascendente, mas por uma vitória de Deus sobre o último desencadear do mal[8], que fará descer do céu a sua Esposa[9]. O triunfo de Deus sobre a revolta do mal tomará a forma de Juízo final[10], após o último abalo cósmico deste mundo passageiro[11].






[1] Cf. Lc 18, 8; Mt 24, 12.
[2] Cf. Lc 21, 12; Jo 15, 19-20.
[3] Cf. 2 Ts 2, 4-12; 1 Ts 5. 2-3; 2 Jo 7; 1 Jo 2, 18.22.
[4] Cf. Santo Ofício, Decretum de millenarismo (19 de Julho de 1944): DS 3839.
[5] Cf. Pio XI, Enc. Divini Redemtptoris (19 de Março de 1937): AAS 29 (1937) 65-106, condenando o «falso misticismo» desta «simulação da redenção dos humildes» (p. 69); II Concílio do Vaticano, Const. past. Gaudium et spes, 20-21: AAS 58 (1966) 1040-1042.
[6] Cf. Ap 19, 1-9.
[7] Cf. Ap 13, 8.
[8] Cf. Ap 20, 7-10.
[9] Cf. Ap 21, 2-4.
[10] Cf. Ap 20, 12.
[11] Cf. 2 Pe 3. 12-13.





sábado, 17 de enero de 2015

São Luis Maria Grignon de Montfort - "Papel especial de Maria nos Últimos Tempos"

São Luís-Maria Grignion de Montfort
(1673–1716)

Canonizado pelo Pp. Pio XII em 1947
  



Papel Especial de Maria nos Últimos Tempos
(Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, Nos 49-54)




I. Papel Especial de Maria nos Últimos Tempos
49. A salvação do mundo começou por Maria, e é por Ela que se deve consumar. Na primeira vinda de Jesus Cristo, Maria quase não apareceu, a fim de que os homens, ainda pouco instruídos e esclarecidos sobre a pessoa de seu Filho, não se afastassem da verdade, apegando-se muito intensa e grosseiramente a Ela. Sendo a Virgem conhecida, é provável que isso tivesse acontecido por causa dos encantos admiráveis que o Altíssimo lhe tinha concedido, mesmo exteriormente. Tanto assim é que São Dionísio Areopagita deixou escrito que, quando a viu, a teria tomado por uma divindade, —devido aos Seus secretos atractivos e à sua beleza incomparável—, se a fé, em que estava bem confirmado, lhe não tivesse garantido o contrário.
Mas, na segunda vinda de Jesus Cristo, Maria tem de ser conhecida e, por isso, deve ser manifestada pelo Espírito Santo. Por Ela fará Conhecer, Amar e Servir Jesus Cristo, uma vez que já não subsistem as razões que o levaram a ocultar, durante a vida, a sua Esposa, e a revelá-la só muito pouco, desde a pregação do Santo Evangelho.

50. Nestes que são os tempos derradeiros Deus quer, pois, revelar e manifestar Maria, a obra prima das suas mãos.
1º porque Ela se escondeu neste mundo, e se colocou mais abaixo que o pó, em sua humildade profunda, tendo obtido de Deus, dos Seus Apóstolos e Evangelistas, que não fosse manifestada;
2º porque Ela é obra-prima saída das mãos de Deus, tanto na Terra pela graça, como no Céu pela glória. Por isso Deus quer, por meio d’Ela, ser louvado e glorificado sobre a terra pelos viventes;
3º porque é Ela a aurora que precede e anuncia o Sol da Justiça, Jesus Cristo, Maria deve ser conhecida e vista, para que Jesus o seja também;
4º porque sendo Ela o caminho por onde Jesus Cristo veio a nós da primeira vez, haverá de sê-lo ainda quando Ele vier pela segunda, embora de maneira diversa;
5º porque é Maria o meio seguro, a via recta e imaculada para ir a Jesus Cristo e para o encontrar perfeitamente, é por Ela que o devem achar as almas chamadas a brilhar em santidade. Aquele que achar Maria, achará a vida (Pr 8, 35), isto é, encontrará Jesus Cristo, que é o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14, 6). Mas não a pode achar quem a não procurar; não pode procurá-la quem a não conhecer: pois não se busca nem se deseja um objecto desconhecido. É pois necessário que Maria seja conhecida mais do que nunca, para maior conhecimento e glória da Santíssima Trindade;
6º Maria deve brilhar mais do que nunca em misericórdia, em força e em graça nestes últimos tempos. Em misericórdia, para reconduzir e receber amorosamente os pobres pecadores e extraviados, que se converterão e regressarão à Igreja Católica. Em força, para se opor aos inimigos de Deus, aos idólatras, cismáticos, maometanos, judeus e ímpios endurecidos, que se revoltarão terrivelmente, para seduzir e fazer cair, por meio de promessas e ameaças, todos os que lhes forem contrários. E, finalmente, Ela deve brilhar em graça, para animar e suster os valorosos soldados e fiéis servos de Jesus Cristo, que combaterão pelos Seus interesses;
7º por fim, Maria deve ser terrível para o demónio e seus sequazes, como um exército disposto em linha de batalha (Ct 6, 3.9), principalmente nestes últimos tempos. A razão disso é que o demónio intensifica todos os dias seus esforços e combates, visto saber bem que tem pouco tempo (Ap 12, 12), e muito menos do que nunca, para perder as almas. Suscitará em breve cruéis perseguições, e armará terríveis emboscadas aos servos fiéis e verdadeiros filhos de Maria, pois lhe são precisos mais esforços para vencer estes do que os outros.

51. Estas últimas e cruéis perseguições do demónio aumentarão dia a dia, até vir o Reino do Anticristo. É principalmente a estas que se deve aplicar a primeira e célebre predição e maldição de Deus proferida no Paraíso Terrestre contra a serpente. Vem a propósito explicá-la aqui, para a glória da Santíssima Virgem, salvação dos Seus filhos e confusão do demónio.
Porei inimizades entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a d'Ela; Ela te esmagará a cabeça, e tu armarás ciladas ao seu calcanhar” (Gn 3, 15).

52. Deus nunca estabeleceu e formou senão uma única inimizade, mas esta irreconciliável, devendo durar e mesmo aumentar até o fim. É a inimizade entre Maria, sua digna Mãe, e o demónio; entre os filhos e servos da Santíssima Virgem e os filhos e satélites de Lúcifer. Deste modo, o inimigo mais terrível que Deus constituiu contra o demónio é Maria, sua Santa Mãe. E Maria, ainda existindo apenas na mente de Deus, foi por Ele dotada, desde o Paraíso Terrestre, de tanto ódio contra este maldito inimigo, tanta diligência em descobrir a malícia desta antiga serpente, tanta força para vencer, aniquilar e esmagar este ímpio orgulhoso, que este a teme, não só mais que a todos os anjos e homens, mas, num certo sentido, mais do que ao próprio Deus. Não é que a ira, o ódio e o poder de Deus não sejam infinitamente superiores aos da Santíssima Virgem, visto as perfeições d'Ela serem limitadas. Mas é que: em primeiro lugar, Satanás, sendo orgulhoso, sofre infinitamente mais em ser vencido e esmagado por uma pequena e humilde serva de Deus, e a humildade desta humilha-o mais que o poder divino; depois, porque Deus conferiu a Maria um tão grande poder sobre os demónios, que eles temem mais um único dos Seus suspiros por alguma alma, que as orações de todos os santos, e uma só das suas ameaças, mais que qualquer outro tormento. Isto foram eles obrigados a confessar muitas vezes, ainda que de má vontade, pela boca dos possessos.

53. O que Lúcifer perdeu por orgulho, ganhou-o Maria pela sua humildade; o que Eva condenou e perdeu pela desobediência, salvou-o Maria obedecendo. Eva, ao obedecer à serpente, perdeu consigo todos os seus filhos e entregou-os ao demónio. Maria, tendo sido perfeitamente fiel a Deus, salvou juntamente consigo todos os Seus filhos e servos, e consagrou-os à Divina Majestade (Santo Ireneu de Lyon).

54. Deus constituiu não somente uma inimizade, mas “inimizades”, não apenas entre Maria e o demónio, mas também entre a descendência da Virgem Santa e a de Satanás. Isto quer dizer que Deus estabeleceu inimizades, antipatias e ódios secretos entre os verdadeiros filhos e servos da Santíssima Virgem e os filhos e escravos do demónio: eles não se amam, nem têm qualquer correspondência interior uns com os outros.
Os filhos de Belial (Dt 13, 13), os escravos de Satanás, os amigos do mundo (não há diferença), até hoje perseguiram sempre, e perseguirão mais do que nunca, aqueles que pertencem à Santíssima Virgem, como outrora Caim perseguiu seu irmão Abel, e Esaú perseguiu Jacob, figuras dos réprobos e dos predestinados. Mas a humilde Maria alcançará sempre a vitória sobre este orgulhoso, e essa vitória será tão grande que chegará a esborrachar-lhe a cabeça, onde reside o seu orgulho. Ela descobrirá sempre a sua malícia de serpente, e porá a descoberto as suas tramas infernais. Dissipará os seus conselhos e protegerá, até o fim dos tempos, os Seus servos fiéis contra aquelas garras cruéis.
Mas o poder de Maria sobre todos os demónios brilhará particularmente nos últimos tempos, em que Satanás armará ciladas contra o seu calcanhar, ou seja, contra os humildes escravos e pobres filhos, que Ela suscitará para lhe fazer guerra. Eles serão pequenos e pobres na opinião do mundo, humilhados perante todos, calcados e perseguidos como o calcanhar o é em relação aos outros membros do corpo. Mas, em troca, serão ricos da graça de Deus, que Maria lhes distribuirá abundantemente. Serão grandes e de elevada santidade diante de Deus, e superiores a toda criatura pelo seu zelo ardente. Estarão tão fortemente apoiados no socorro divino que esmagarão, com a humildade de seu calcanhar e em união com Maria, a cabeça do demónio, fazendo triunfar Jesus Cristo.





viernes, 9 de enero de 2015

Nossa Senhora fala a Santa Faustina Kowalska sobre o dia da Justiça Divina, o dia da Segunda Vinda de Jesus


Santa Faustina Kowalska
(1905-1938)


Canonizada pelo Pp. João Paulo II em 30 de Abril de 2000






Nossa Senhora fala a Santa Faustina sobre
o dia da Justiça Divina, o dia da Segunda Vinda de Jesus


Assim aponta Santa Faustina Kowalska no seu Diário, nº 635:
«25 de Março [1936]. Durante a meditação de manhã a divina Presença envolveu-me duma maneira especial. Contemplei a incomensurável grandeza de Deus e, ao mesmo tempo, a Sua condescendência para com a criatura. Então, vi Nossa Senhora que me disse: — Oh, como é agradável a Deus a alma que siga fielmente a inspiração da Sua graça! Eu dei o Salvador ao mundo e, quanto a ti, deves proclamar ao mundo a Sua grande Misericórdia, preparando-o para a Sua Segunda Vinda, quando Ele vier, não como Salvador Misericordioso, mas como justo Juiz. Oh, quão terrível será esse dia! E decidido está o dia da Justiça, o da Cólera de Deus: os próprios Anjos tremem diante dele. Fala às almas dessa grande Misericórdia enquanto é tempo de compaixão. Se te calares agora, terás de responder naquele tremendo dia por um grande número de almas. Nada receies, sê fiel até ao fim. Eu estarei a teu lado com a Minha ternura».